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  • Daiana Santos

Prédio da diretoria de Direitos Humanos de Porto Alegre está em situação precária

Sem higienização desde dezembro, prédio da diretoria de Direitos Humanos de Porto Alegre não oferece acolhimento à população vulnerável


Em plena pandemia de COVID-19, o prédio da Diretoria-Geral de Direitos Humanos de Porto Alegre (DGDH), localizado na Rua dos Andradas, número 1643, está há mais de um mês sem serviços de higienização. Diante da denúncia de descaso, a vereadora Daiana Santos visitou o local na manhã desta quarta-feira (27) para verificar a situação do órgão.


Ante o piso acarpetado, com muitos locais sem lâmpadas, salas pequenas e sem ventilação - que não oferecem boas condições de atendimento e acolhimento -, a vereadora ouviu relatos de servidoras (es) temerosas (as) pela sua saúde e a de familiares, já que não tem previsão da volta dos serviços de limpeza no local.


- O que me deixa preocupada é a questão sanitária. Mais de um mês sem higienização, ainda mais em um período de pandemia. Os servidores colocados em risco, colocando suas famílias em risco. As pessoas precisam saber o que está acontecendo - afirmou a vereadora.




A Diretoria de Direitos Humanos concentra as unidades de direitos da Mulher, do Idoso, dos Povos Indígenas, Segurança Alimentar e Nutrição Sustentável, de Políticas Públicas para a Juventude, e de Diversidade Sexual e de Gênero - essa última com a porta trancada, sem atendimento presencial.


A população de Porto Alegre segue desassistida pelo Executivo Municipal, que ainda não nomeou titular para a pasta. Claudio Franzen, que responde interinamente pela DGDH, recebeu a vereadora, e afirmou que está em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Social, também à espera de providências. Na conversa com Franzen, Daiana reafirmou a importância da Diretoria de Direitos Humanos para a população vulnerável de Porto Alegre:


- Esse é um espaço de referência que já deveria estar a pleno funcionamento. Nossa mandata está de portas abertas e é necessário que a gente tenha esse diálogo para construir coisas que são importantes para a cidade. Independente de situação ou oposição, estamos falando da população, de quem precisa de um atendimento. Quando negligenciam um espaço como esse é a nossa vida que está sendo negligenciada.


No último ano, 11 mulheres foram vítimas de feminicídio em Porto Alegre - no Rio Grande do Sul, 76 mulheres foram assassinadas em 2020, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Ainda assim, há quase um mês o Centro de Referência da Mulher Márcia Calixto (CRAM) não conta com uma coordenação - fato que motivou a visita da vereadora.


As mulheres que chegam até o local são encaminhadas por outros órgãos, como postos de saúde e Delegacia da Mulher. Elas chegam em busca de acolhimento e encaminhamento, e se deparam apenas com duas assistentes sociais impossibilitadas de prestar todo o ciclo de atendimento necessário a pessoas em situação de risco, pois não há atendimento psicológico ou jurídico.


De acordo com o site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o CRAM é “um dos principais espaços estratégicos da Política Municipal de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e visa a ruptura da situação de violência e a construção da cidadania das mulheres, por meio de atendimento intersetorial e interdisciplinar (psicológico, social e jurídico)”. Conforme relato de uma servidora, lá, os servidores sentem-se “levando nas costas, levando a política quase com a barriga para o serviço não parar”.


- Nosso tensionamento é justamente para que a estrutura seja garantida. Não vamos compactuar com isso - declarou Daiana.


Texto e fotos: Júlia Soares/Gabinete Daiana Santos